segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Makita anuncia fechamento de fábrica em S.Bernardo

Empresa rompe negociação com Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e demite 285


A Makita Brasil anunciou nesta sexta-feira o fechamento de sua fábrica em São Bernardo. O anúncio foi apontado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como uma traição à entidade, que negociava a permanência da unidade de produção na Região. A fábrica do ABCD tem 285 trabalhadores, que receberam licença remunerada até outubro, quando a fábrica, localizada no Bairro Alvarenga, será fechada. A produção será concentrada na unidade de Ponta Grossa, no Paraná.




Empresa japonesa, a Makita está instalada há quase 20 anos no município e há três abriu a segunda planta no Paraná. “Quando abriu a segunda fábrica os trabalhadores estavam temerosos, mas nas reuniões com a empresa a diretoria sempre nos informou que não fecharia a planta de São Bernardo”, contou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges.



De acordo com o sindicato, nesta sexta-feira, os diretores tinham marcado uma reunião com os advogados da empresa para assinar um termo de compromisso para que a fábrica de São Bernardo continuasse a produzir normalmente. Ao chegar à entidade, os advogados avisaram que a fábrica iria fechar.



Acampamento - Os funcionários vão acampar em frente à fábrica para que não haja perigo de retirarem os equipamentos da Makita. Os diretores do sindicato também planejam fazer um calendário de atividades como, por exemplo, uma passeata na rua Marechal Deodoro, manifestação na Câmara Municipal e no consulado japonês.



O vereador Paulo Dias (PT), de São Bernado, funcionário há 13 anos da Makita e licenciado da função na fábrica para atuar no Legislativo da cidade, criticou a ação da Makita. “É um desrespeito ao povo brasileiro. A empresa dizia que não tinha nenhuma visão de fechamento. O Japão deve uma explicação para todos. A direção contratou advogados para falar sobre o assunto e mais ninguém apareceu”, falou o parlamentar.



Selerges disse que a produção da Makita é vendida normalmente. “As máquinas são para a construção civil, então, eles não estão em crise? A exportação não é o grande nicho”, questionou Dias.



No Paraná, de acordo com a direção do sindicato, a mão de obra é mais barata, o que teria motivado a opção da empresa. Os trabalhadores de Ponta Grossa recebem cerca de um salário mínimo enquanto os trabalhadores da planta de São Bernardo ganham cerca de R$ 1.300. Outro fator para atrair a concentração da produção no outro Estado é o fato de que a distribuição de peças para o Mercosul seria mais fácil.



Trabalhadores - Valdenice Monteiro da Silva trabalha há 15 anos na empresa. A trabalhadora está grávida de cinco meses e passou mal depois do anúncio de fechamento. “Eu me assustei porque os trabalhadores ficaram nervosos e começaram a ficar agitados. Comecei a chorar e fui para a enfermaria”, afirmou Valdenice, que já tem outros dois filhos.



Outra funcionária, que não quis se identificar, disse que trabalha na fábrica há 21 anos, desde quando a empresa ainda era instalada em Diadema. “Tive problemas de saúde e já fui afastada duas vezes para operar os dois ombros. Aqui tem bastante gente afastada, mais de dez só neste ano”, disse.



Conforme os funcionários, a Makita chamou os trabalhadores para horas extras no sábado, além de continuar trabalhando no mesmo ritmo, diurno e noturno.



Na terça-feira (08/09), os trabalhadores entrarão em licença remunerada e, no mês que vem, a fábrica deve encerrar os serviços na cidade. Os trabalhadores devem receber as verbas rescisórias com o acompanhamento do sindicato.



Solidariedade – Sessenta trabalhadores da fábrica Otis, localizada em frente à fabrica da Makita, participaram da assembleia mesmo em horário de trabalho. “O que a empresa fez é uma falta de responsabilidade, o comitê sindical se dispõe a arrecadar dinheiro, fazer cestas básicas e até acampar com eles na frente da fábrica”, falou o auditor de qualidade da Otis, Genildo Dias Pereira, o Gaúcho.



No final da tarde de sexta-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC emitiu uma nota sobre o fechamento da fábrica da Makita em São Bernardo. Segue abaixo a íntegra da nota..



Makita rompe compromisso com o Sindicato



Trabalhadores na Makita, indústria de ferramentas elétricas de São Bernardo, iniciaram mobilização nesta sexta-feira (04/09) em protesto contra a empresa, que anunciou o fechamento da unidade e a demissão de seus 285 funcionários.



A direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informa que a ação da Makita foi inescrupulosa e anti-ética, porque desrespeitou o compromisso e a garantia firmados com a entidade e os trabalhadores de que a fábrica não seria fechada.



O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está concentrando todos os seus esforços e recursos para assegurar empregos e direitos dos 285 trabalhadores da Makita.



No comunicado que distribuiu aos funcionários na manhã desta sexta-feira, a empresa afirma que o fechamento foi consequência da crise econômica internacional. O texto não informa, porém, a atuação permanente do Sindicato para evitar que a fábrica fosse fechada nem a disposição de buscar alternativas. A direção dos Metalúrgicos do ABC não aceita nem dá crédito à justificativa da crise usada pela empresa.



O Sindicato mantinha negociações transparentes, permanentes e éticas com a diretoria da Makita e, nas seguidas reuniões que realizou com a empresa sobre a possibilidade de fechamento, obteve garantias e o compromisso de que a fábrica não seria fechada.



Ao apoiar a mobilização dos trabalhadores, o Sindicato quer denunciar à sociedade, às autoridades e ao Poder Público a falta de responsabilidade social da Makita e a quebra dos acordos e da palavra empenhada por sua direção.



Os trabalhadores permanecerão mobilizados até que a Makita atenda a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e reveja o anúncio de fechamento fábrica.



Contamos com a compreensão e solidariedade da imprensa diante deste grave problema que atinge 285 trabalhadores e suas famílias. Manteremos todos informados sobre o andamento do caso por meio de notas oficiais assinadas pela diretoria dos Metalúrgicos do ABC e também pelo site do Sindicato (www.smabc.org.br).

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