BETH MOREIRA - Agencia Estado
SÃO PAULO - Metalúrgicos e empresas automobilísticas filiadas ao Sindicato Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) voltam a se reunir hoje para discutir novos reajustes salariais da categoria. A aceitação da proposta que será apresentada pelas montadoras, no entanto, só será votada amanhã, quando trabalhadores se reúnem em assembleia, segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A reunião do sábado terá início às 10 horas, em frente à sede da entidade, em São Bernardo do Campo.
Os sindicalistas ressaltam que, caso a proposta das montadoras não seja aceita, a categoria poderá decretar greve por tempo indeterminado. Na última reunião entre patrões e empregados, ocorrida na terça-feira, as empresas reiteraram a proposta de reposição inflacionária, que deve ficar ao redor de 4,5%. Já os sindicalistas exigiram aumento real de salários. Na manhã de hoje, os trabalhadores do turno da manhã da Autometal, da TRW e da Delga, de Diadema, pararam a produção nas fábricas para reivindicar aumento real de salário. As três empresas somam mais de 2.200 trabalhadores.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Brasil tem uma das maiores recuperações pós-recessão; veja dados
Segundo agência Moody's e OCDE, país apresentou um dos maiores crescimentos do trimestre.
Da BBC Brasil em Brasília - O crescimento da economia brasileira, de 1,9% no 2º trimestre, representa um dos melhores resultado entre os países que estavam em recessão, segundo dados da agência de classificação de risco Moody's e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
A maior recuperação do trimestre foi registrada pela Turquia (+ 2,7%), onde a economia encolheu durante quatro trimestres consecutivos. No Brasil, no entanto, foram dois.
Entre os países desenvolvidos, o que mais cresceu no 2º trimestre, em comparação ao 1º trimestre do ano, foi o Japão, com alta de 0,9%. O país vinha apresentando um PIB (Produto Interno Bruto) negativo desde o 2º trimestre de 2008, antes mesmo do agravamento da crise, em setembro do ano passado.
"O Brasil não apenas ficou pouco tempo em recessão, como também apresentou um dos maiores crescimentos no trimestre", diz Alfredo Coutinho, diretor para América Latina da Moody's.
Enquanto no Brasil o crescimento foi puxado pelo consumo interno, no caso japonês o resultado foi impulsionado pela demanda externa, principalmente da China, e por maiores gastos do governo.
Europa
Alemanha e França também já tiraram o pé da recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda no PIB. As duas economias cresceram 0,3% cada.
Apesar do crescimento desses dois países, a União Europeia como um todo ainda se encontra em recessão. A economia do bloco encolheu 0,2% no 2º trimestre.
Uma das razões está no consumo das famílias. Com o aprofundamento da crise, os europeus deixaram de comprar. Investimentos e exportações também continuam negativos.
A Grã-Bretanha, um dos países mais afetados pela crise financeira internacional, registrou uma queda de 0,7% do PIB no 2º trimestre.
Américas, Índia e China
Pelo levantamento da Moody's, o Brasil é o primeiro país da América Latina a sair de uma recessão neste ano.
Chile e México, dois dos principais países da região, ainda estão com dados negativos. O PIB chileno caiu 0,5% no 2º trimestre, enquanto o México registrou resultado ainda pior: queda de 1,1%.
Os Estados Unidos, foco da crise atual, continuam em recessão. A economia americana vem encolhendo desde o 3º trimestre do ano passado.
No 2º trimestre deste ano, o PIB dos Estados Unidos caiu 0,3% em comparação aos primeiros três meses de 2009.
Enquanto isso, China e Índia seguem em crescimento. O ritmo da expansão diminuiu, mas os dois países estão entre os poucos do mundo que não entraram em recessão.
No 2º trimestre deste ano, a economia chinesa cresceu 7,9% em comparação ao 2º trimestre de 2008, enquanto a Índia cresceu 6,1%.
Segundo Alfredo Coutinho, no entanto, os dados desses dois países, assim como os da Rússia, não consideram a sazonalidade e, portanto, não são comparáveis com a maioria dos países. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Da BBC Brasil em Brasília - O crescimento da economia brasileira, de 1,9% no 2º trimestre, representa um dos melhores resultado entre os países que estavam em recessão, segundo dados da agência de classificação de risco Moody's e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
A maior recuperação do trimestre foi registrada pela Turquia (+ 2,7%), onde a economia encolheu durante quatro trimestres consecutivos. No Brasil, no entanto, foram dois.
Entre os países desenvolvidos, o que mais cresceu no 2º trimestre, em comparação ao 1º trimestre do ano, foi o Japão, com alta de 0,9%. O país vinha apresentando um PIB (Produto Interno Bruto) negativo desde o 2º trimestre de 2008, antes mesmo do agravamento da crise, em setembro do ano passado.
"O Brasil não apenas ficou pouco tempo em recessão, como também apresentou um dos maiores crescimentos no trimestre", diz Alfredo Coutinho, diretor para América Latina da Moody's.
Enquanto no Brasil o crescimento foi puxado pelo consumo interno, no caso japonês o resultado foi impulsionado pela demanda externa, principalmente da China, e por maiores gastos do governo.
Europa
Alemanha e França também já tiraram o pé da recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda no PIB. As duas economias cresceram 0,3% cada.
Apesar do crescimento desses dois países, a União Europeia como um todo ainda se encontra em recessão. A economia do bloco encolheu 0,2% no 2º trimestre.
Uma das razões está no consumo das famílias. Com o aprofundamento da crise, os europeus deixaram de comprar. Investimentos e exportações também continuam negativos.
A Grã-Bretanha, um dos países mais afetados pela crise financeira internacional, registrou uma queda de 0,7% do PIB no 2º trimestre.
Américas, Índia e China
Pelo levantamento da Moody's, o Brasil é o primeiro país da América Latina a sair de uma recessão neste ano.
Chile e México, dois dos principais países da região, ainda estão com dados negativos. O PIB chileno caiu 0,5% no 2º trimestre, enquanto o México registrou resultado ainda pior: queda de 1,1%.
Os Estados Unidos, foco da crise atual, continuam em recessão. A economia americana vem encolhendo desde o 3º trimestre do ano passado.
No 2º trimestre deste ano, o PIB dos Estados Unidos caiu 0,3% em comparação aos primeiros três meses de 2009.
Enquanto isso, China e Índia seguem em crescimento. O ritmo da expansão diminuiu, mas os dois países estão entre os poucos do mundo que não entraram em recessão.
No 2º trimestre deste ano, a economia chinesa cresceu 7,9% em comparação ao 2º trimestre de 2008, enquanto a Índia cresceu 6,1%.
Segundo Alfredo Coutinho, no entanto, os dados desses dois países, assim como os da Rússia, não consideram a sazonalidade e, portanto, não são comparáveis com a maioria dos países. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
E incrível, mas e verdade, a mídia ja reconheçe que saimos da crise.
Brasil entre os primeiros a retornar ao patamar pré-crise
O blog bateu um papo rápido sobre PIB com o economista Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil. Ele disse que a tendência do Brasil é estar entre os primeiros países do mundo a retornar ao patamar pré-crise e apontou os riscos ainda existentes pela frente. Também mostrou preocupação com o investimento, determinante para o crescimento sem pressões inflacionárias.
O Brasil entrou para o grupo dos países que saiu mais cedo da recessão. E daqui para frente?
— A tendência é que além de ser um dos que mais rapidamente tenha saído da recessão, seja um dos que mais rapidamente vai voltar aos patamares pré-crise, crescendo mais do que a média mundial em 2010 e muito próximo da média em 2011.
Quais são os fatores de risco?
— Uma piora do cenário externo do tipo "double dip" que pode frear o crescimento da industria, uma vez que em torno de 20% desse setor depende da demanda externa e não há crescimento sustentável da economia sem crescimento da indústria. Internamente o problema é a questão fiscal. O BC já colocou isso explicitamente na última ata e terá que subir os juros antes do previsto por conta da expansão fiscal acima do aceitável. Assim como o presidente Lula reclamou da herança maldita deixada por FHC, o próximo presidente poderá reclamar que Lula vai deixar a questão fiscal tão mal encaminhada que teremos que ter juros mais elevados por um período mais longo de tempo... Compramos um crescimento maior à vista, mas vamos pagar isso a prazo, como dizia Miltom Friedman, não existe almoço de graça.
Os investimentos estabilizaram. Eles vão crescer daqui para frente?
— Na comparação ao trimestre anterior, já no terceiro trimestre, mas na comparação anual só no quarto. De todo modo, o desempenho do investimento é bastante preocupante, uma vez que sua participação no PIB caiu para o menor nível desde 2003. Não existe crescimento sustentável baseado apenas no consumo. Se o investimento ficar para trás, o resultado será pressões inflacionárias e alta dos juros.
O blog bateu um papo rápido sobre PIB com o economista Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil. Ele disse que a tendência do Brasil é estar entre os primeiros países do mundo a retornar ao patamar pré-crise e apontou os riscos ainda existentes pela frente. Também mostrou preocupação com o investimento, determinante para o crescimento sem pressões inflacionárias.
O Brasil entrou para o grupo dos países que saiu mais cedo da recessão. E daqui para frente?
— A tendência é que além de ser um dos que mais rapidamente tenha saído da recessão, seja um dos que mais rapidamente vai voltar aos patamares pré-crise, crescendo mais do que a média mundial em 2010 e muito próximo da média em 2011.
Quais são os fatores de risco?
— Uma piora do cenário externo do tipo "double dip" que pode frear o crescimento da industria, uma vez que em torno de 20% desse setor depende da demanda externa e não há crescimento sustentável da economia sem crescimento da indústria. Internamente o problema é a questão fiscal. O BC já colocou isso explicitamente na última ata e terá que subir os juros antes do previsto por conta da expansão fiscal acima do aceitável. Assim como o presidente Lula reclamou da herança maldita deixada por FHC, o próximo presidente poderá reclamar que Lula vai deixar a questão fiscal tão mal encaminhada que teremos que ter juros mais elevados por um período mais longo de tempo... Compramos um crescimento maior à vista, mas vamos pagar isso a prazo, como dizia Miltom Friedman, não existe almoço de graça.
Os investimentos estabilizaram. Eles vão crescer daqui para frente?
— Na comparação ao trimestre anterior, já no terceiro trimestre, mas na comparação anual só no quarto. De todo modo, o desempenho do investimento é bastante preocupante, uma vez que sua participação no PIB caiu para o menor nível desde 2003. Não existe crescimento sustentável baseado apenas no consumo. Se o investimento ficar para trás, o resultado será pressões inflacionárias e alta dos juros.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Makita anuncia fechamento de fábrica em S.Bernardo
Empresa rompe negociação com Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e demite 285
A Makita Brasil anunciou nesta sexta-feira o fechamento de sua fábrica em São Bernardo. O anúncio foi apontado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como uma traição à entidade, que negociava a permanência da unidade de produção na Região. A fábrica do ABCD tem 285 trabalhadores, que receberam licença remunerada até outubro, quando a fábrica, localizada no Bairro Alvarenga, será fechada. A produção será concentrada na unidade de Ponta Grossa, no Paraná.
Empresa japonesa, a Makita está instalada há quase 20 anos no município e há três abriu a segunda planta no Paraná. “Quando abriu a segunda fábrica os trabalhadores estavam temerosos, mas nas reuniões com a empresa a diretoria sempre nos informou que não fecharia a planta de São Bernardo”, contou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges.
De acordo com o sindicato, nesta sexta-feira, os diretores tinham marcado uma reunião com os advogados da empresa para assinar um termo de compromisso para que a fábrica de São Bernardo continuasse a produzir normalmente. Ao chegar à entidade, os advogados avisaram que a fábrica iria fechar.
Acampamento - Os funcionários vão acampar em frente à fábrica para que não haja perigo de retirarem os equipamentos da Makita. Os diretores do sindicato também planejam fazer um calendário de atividades como, por exemplo, uma passeata na rua Marechal Deodoro, manifestação na Câmara Municipal e no consulado japonês.
O vereador Paulo Dias (PT), de São Bernado, funcionário há 13 anos da Makita e licenciado da função na fábrica para atuar no Legislativo da cidade, criticou a ação da Makita. “É um desrespeito ao povo brasileiro. A empresa dizia que não tinha nenhuma visão de fechamento. O Japão deve uma explicação para todos. A direção contratou advogados para falar sobre o assunto e mais ninguém apareceu”, falou o parlamentar.
Selerges disse que a produção da Makita é vendida normalmente. “As máquinas são para a construção civil, então, eles não estão em crise? A exportação não é o grande nicho”, questionou Dias.
No Paraná, de acordo com a direção do sindicato, a mão de obra é mais barata, o que teria motivado a opção da empresa. Os trabalhadores de Ponta Grossa recebem cerca de um salário mínimo enquanto os trabalhadores da planta de São Bernardo ganham cerca de R$ 1.300. Outro fator para atrair a concentração da produção no outro Estado é o fato de que a distribuição de peças para o Mercosul seria mais fácil.
Trabalhadores - Valdenice Monteiro da Silva trabalha há 15 anos na empresa. A trabalhadora está grávida de cinco meses e passou mal depois do anúncio de fechamento. “Eu me assustei porque os trabalhadores ficaram nervosos e começaram a ficar agitados. Comecei a chorar e fui para a enfermaria”, afirmou Valdenice, que já tem outros dois filhos.
Outra funcionária, que não quis se identificar, disse que trabalha na fábrica há 21 anos, desde quando a empresa ainda era instalada em Diadema. “Tive problemas de saúde e já fui afastada duas vezes para operar os dois ombros. Aqui tem bastante gente afastada, mais de dez só neste ano”, disse.
Conforme os funcionários, a Makita chamou os trabalhadores para horas extras no sábado, além de continuar trabalhando no mesmo ritmo, diurno e noturno.
Na terça-feira (08/09), os trabalhadores entrarão em licença remunerada e, no mês que vem, a fábrica deve encerrar os serviços na cidade. Os trabalhadores devem receber as verbas rescisórias com o acompanhamento do sindicato.
Solidariedade – Sessenta trabalhadores da fábrica Otis, localizada em frente à fabrica da Makita, participaram da assembleia mesmo em horário de trabalho. “O que a empresa fez é uma falta de responsabilidade, o comitê sindical se dispõe a arrecadar dinheiro, fazer cestas básicas e até acampar com eles na frente da fábrica”, falou o auditor de qualidade da Otis, Genildo Dias Pereira, o Gaúcho.
No final da tarde de sexta-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC emitiu uma nota sobre o fechamento da fábrica da Makita em São Bernardo. Segue abaixo a íntegra da nota..
Makita rompe compromisso com o Sindicato
Trabalhadores na Makita, indústria de ferramentas elétricas de São Bernardo, iniciaram mobilização nesta sexta-feira (04/09) em protesto contra a empresa, que anunciou o fechamento da unidade e a demissão de seus 285 funcionários.
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informa que a ação da Makita foi inescrupulosa e anti-ética, porque desrespeitou o compromisso e a garantia firmados com a entidade e os trabalhadores de que a fábrica não seria fechada.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está concentrando todos os seus esforços e recursos para assegurar empregos e direitos dos 285 trabalhadores da Makita.
No comunicado que distribuiu aos funcionários na manhã desta sexta-feira, a empresa afirma que o fechamento foi consequência da crise econômica internacional. O texto não informa, porém, a atuação permanente do Sindicato para evitar que a fábrica fosse fechada nem a disposição de buscar alternativas. A direção dos Metalúrgicos do ABC não aceita nem dá crédito à justificativa da crise usada pela empresa.
O Sindicato mantinha negociações transparentes, permanentes e éticas com a diretoria da Makita e, nas seguidas reuniões que realizou com a empresa sobre a possibilidade de fechamento, obteve garantias e o compromisso de que a fábrica não seria fechada.
Ao apoiar a mobilização dos trabalhadores, o Sindicato quer denunciar à sociedade, às autoridades e ao Poder Público a falta de responsabilidade social da Makita e a quebra dos acordos e da palavra empenhada por sua direção.
Os trabalhadores permanecerão mobilizados até que a Makita atenda a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e reveja o anúncio de fechamento fábrica.
Contamos com a compreensão e solidariedade da imprensa diante deste grave problema que atinge 285 trabalhadores e suas famílias. Manteremos todos informados sobre o andamento do caso por meio de notas oficiais assinadas pela diretoria dos Metalúrgicos do ABC e também pelo site do Sindicato (www.smabc.org.br).
A Makita Brasil anunciou nesta sexta-feira o fechamento de sua fábrica em São Bernardo. O anúncio foi apontado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como uma traição à entidade, que negociava a permanência da unidade de produção na Região. A fábrica do ABCD tem 285 trabalhadores, que receberam licença remunerada até outubro, quando a fábrica, localizada no Bairro Alvarenga, será fechada. A produção será concentrada na unidade de Ponta Grossa, no Paraná.
Empresa japonesa, a Makita está instalada há quase 20 anos no município e há três abriu a segunda planta no Paraná. “Quando abriu a segunda fábrica os trabalhadores estavam temerosos, mas nas reuniões com a empresa a diretoria sempre nos informou que não fecharia a planta de São Bernardo”, contou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges.
De acordo com o sindicato, nesta sexta-feira, os diretores tinham marcado uma reunião com os advogados da empresa para assinar um termo de compromisso para que a fábrica de São Bernardo continuasse a produzir normalmente. Ao chegar à entidade, os advogados avisaram que a fábrica iria fechar.
Acampamento - Os funcionários vão acampar em frente à fábrica para que não haja perigo de retirarem os equipamentos da Makita. Os diretores do sindicato também planejam fazer um calendário de atividades como, por exemplo, uma passeata na rua Marechal Deodoro, manifestação na Câmara Municipal e no consulado japonês.
O vereador Paulo Dias (PT), de São Bernado, funcionário há 13 anos da Makita e licenciado da função na fábrica para atuar no Legislativo da cidade, criticou a ação da Makita. “É um desrespeito ao povo brasileiro. A empresa dizia que não tinha nenhuma visão de fechamento. O Japão deve uma explicação para todos. A direção contratou advogados para falar sobre o assunto e mais ninguém apareceu”, falou o parlamentar.
Selerges disse que a produção da Makita é vendida normalmente. “As máquinas são para a construção civil, então, eles não estão em crise? A exportação não é o grande nicho”, questionou Dias.
No Paraná, de acordo com a direção do sindicato, a mão de obra é mais barata, o que teria motivado a opção da empresa. Os trabalhadores de Ponta Grossa recebem cerca de um salário mínimo enquanto os trabalhadores da planta de São Bernardo ganham cerca de R$ 1.300. Outro fator para atrair a concentração da produção no outro Estado é o fato de que a distribuição de peças para o Mercosul seria mais fácil.
Trabalhadores - Valdenice Monteiro da Silva trabalha há 15 anos na empresa. A trabalhadora está grávida de cinco meses e passou mal depois do anúncio de fechamento. “Eu me assustei porque os trabalhadores ficaram nervosos e começaram a ficar agitados. Comecei a chorar e fui para a enfermaria”, afirmou Valdenice, que já tem outros dois filhos.
Outra funcionária, que não quis se identificar, disse que trabalha na fábrica há 21 anos, desde quando a empresa ainda era instalada em Diadema. “Tive problemas de saúde e já fui afastada duas vezes para operar os dois ombros. Aqui tem bastante gente afastada, mais de dez só neste ano”, disse.
Conforme os funcionários, a Makita chamou os trabalhadores para horas extras no sábado, além de continuar trabalhando no mesmo ritmo, diurno e noturno.
Na terça-feira (08/09), os trabalhadores entrarão em licença remunerada e, no mês que vem, a fábrica deve encerrar os serviços na cidade. Os trabalhadores devem receber as verbas rescisórias com o acompanhamento do sindicato.
Solidariedade – Sessenta trabalhadores da fábrica Otis, localizada em frente à fabrica da Makita, participaram da assembleia mesmo em horário de trabalho. “O que a empresa fez é uma falta de responsabilidade, o comitê sindical se dispõe a arrecadar dinheiro, fazer cestas básicas e até acampar com eles na frente da fábrica”, falou o auditor de qualidade da Otis, Genildo Dias Pereira, o Gaúcho.
No final da tarde de sexta-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC emitiu uma nota sobre o fechamento da fábrica da Makita em São Bernardo. Segue abaixo a íntegra da nota..
Makita rompe compromisso com o Sindicato
Trabalhadores na Makita, indústria de ferramentas elétricas de São Bernardo, iniciaram mobilização nesta sexta-feira (04/09) em protesto contra a empresa, que anunciou o fechamento da unidade e a demissão de seus 285 funcionários.
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informa que a ação da Makita foi inescrupulosa e anti-ética, porque desrespeitou o compromisso e a garantia firmados com a entidade e os trabalhadores de que a fábrica não seria fechada.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está concentrando todos os seus esforços e recursos para assegurar empregos e direitos dos 285 trabalhadores da Makita.
No comunicado que distribuiu aos funcionários na manhã desta sexta-feira, a empresa afirma que o fechamento foi consequência da crise econômica internacional. O texto não informa, porém, a atuação permanente do Sindicato para evitar que a fábrica fosse fechada nem a disposição de buscar alternativas. A direção dos Metalúrgicos do ABC não aceita nem dá crédito à justificativa da crise usada pela empresa.
O Sindicato mantinha negociações transparentes, permanentes e éticas com a diretoria da Makita e, nas seguidas reuniões que realizou com a empresa sobre a possibilidade de fechamento, obteve garantias e o compromisso de que a fábrica não seria fechada.
Ao apoiar a mobilização dos trabalhadores, o Sindicato quer denunciar à sociedade, às autoridades e ao Poder Público a falta de responsabilidade social da Makita e a quebra dos acordos e da palavra empenhada por sua direção.
Os trabalhadores permanecerão mobilizados até que a Makita atenda a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e reveja o anúncio de fechamento fábrica.
Contamos com a compreensão e solidariedade da imprensa diante deste grave problema que atinge 285 trabalhadores e suas famílias. Manteremos todos informados sobre o andamento do caso por meio de notas oficiais assinadas pela diretoria dos Metalúrgicos do ABC e também pelo site do Sindicato (www.smabc.org.br).
Metalúrgicos do ABCD param na próxima semana
Trabalhadores de montadoras paralisaram atividades e deram início às manifestações pela campanha salarial nesta sexta-feira (04/09)
Os trabalhadores do segundo turno da Volkswagen e da Mercedes-Benz paralisaram as atividades nesta sexta-feira (04/09) e marcaram o início das manifestações da categoria na Região pela campanha salarial 2009. A partir da próxima terça-feira (08/09) o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC deverá organizar greves em empresas do ABCD para reivindicar aumento real de salários e renovação e ampliação das cláusulas sociais.
Aprovada com unanimidade pelos cerca de cinco mil trabalhadores que participaram da assembleia na porta do sindicato na noite desta sexta-feira, a proposta de paralisações, atos e greves na semana que vem tem como objetivo forçar os empresários a apresentarem propostas que atendam as reivindicações dos metalúrgicos.
De acordo com o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, até o próximo sábado (12/09), a entidade quer votar propostas dos sindicatos patronais que avancem nas discussões sobre a campanha salarial. “Até lá vamos seguir com atos e paralisações”, convocou o sindicalista.
Até o momento apenas as montadoras e as indústrias de autopeças fizeram propostas para a categoria. Apesar da indicação de renovação e avanço nas cláusulas sociais, a oferta de repassar aos salários apenas o índice da inflação acumulada no período desagradou os trabalhadores. “Nós não admitiremos um acordo sem aumento real de salários”, indicou Nobre. Isso significa que os metalúrgicos lutarão por reajuste salarial maior do que a variação da inflação.
Influência – Por conta dos efeitos variados da crise financeira mundial nas indústrias da base da categoria, o Sindicato dos Metalúrgicos defendeu uma negociação “equilibrada” com os empresários. A posição dos sindicalistas é adequar o acordo da Região à necessidade daquelas indústrias que foram mais afetadas pela crise – como é o caso das autopeças que trabalham para montadoras que exportavam caminhões –, mas também garantir a influência positiva das companhias que mantém bons resultados – caso das montadoras que produzem veículos leves.
Entre as propostas já encaminhadas aos trabalhadores, os representantes dos empresários, além de não oferecerem reajuste real de salários, também propuseram redução do teto de rendimentos e manutenção do piso salarial. Por considerar que estas cláusulas econômicas não representam os interesses dos trabalhadores, o sindicato rejeitou-as na mesa de negociação.
Sociais – No entanto, as negociações com as indústrias de autopeças já resultaram em avanços. O auxílio creche para as trabalhadoras com filhos pequenos poderá ser ampliado de 24 para 36 meses e há proposta da licença paternidade ir de cinco para sete dias. Os metalúrgicos que servem o serviço militar também deverão ser beneficiados com mudanças a partir da campanha salarial 2009.
www.abcdmaior.com.br
Os trabalhadores do segundo turno da Volkswagen e da Mercedes-Benz paralisaram as atividades nesta sexta-feira (04/09) e marcaram o início das manifestações da categoria na Região pela campanha salarial 2009. A partir da próxima terça-feira (08/09) o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC deverá organizar greves em empresas do ABCD para reivindicar aumento real de salários e renovação e ampliação das cláusulas sociais.
Aprovada com unanimidade pelos cerca de cinco mil trabalhadores que participaram da assembleia na porta do sindicato na noite desta sexta-feira, a proposta de paralisações, atos e greves na semana que vem tem como objetivo forçar os empresários a apresentarem propostas que atendam as reivindicações dos metalúrgicos.
De acordo com o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, até o próximo sábado (12/09), a entidade quer votar propostas dos sindicatos patronais que avancem nas discussões sobre a campanha salarial. “Até lá vamos seguir com atos e paralisações”, convocou o sindicalista.
Até o momento apenas as montadoras e as indústrias de autopeças fizeram propostas para a categoria. Apesar da indicação de renovação e avanço nas cláusulas sociais, a oferta de repassar aos salários apenas o índice da inflação acumulada no período desagradou os trabalhadores. “Nós não admitiremos um acordo sem aumento real de salários”, indicou Nobre. Isso significa que os metalúrgicos lutarão por reajuste salarial maior do que a variação da inflação.
Influência – Por conta dos efeitos variados da crise financeira mundial nas indústrias da base da categoria, o Sindicato dos Metalúrgicos defendeu uma negociação “equilibrada” com os empresários. A posição dos sindicalistas é adequar o acordo da Região à necessidade daquelas indústrias que foram mais afetadas pela crise – como é o caso das autopeças que trabalham para montadoras que exportavam caminhões –, mas também garantir a influência positiva das companhias que mantém bons resultados – caso das montadoras que produzem veículos leves.
Entre as propostas já encaminhadas aos trabalhadores, os representantes dos empresários, além de não oferecerem reajuste real de salários, também propuseram redução do teto de rendimentos e manutenção do piso salarial. Por considerar que estas cláusulas econômicas não representam os interesses dos trabalhadores, o sindicato rejeitou-as na mesa de negociação.
Sociais – No entanto, as negociações com as indústrias de autopeças já resultaram em avanços. O auxílio creche para as trabalhadoras com filhos pequenos poderá ser ampliado de 24 para 36 meses e há proposta da licença paternidade ir de cinco para sete dias. Os metalúrgicos que servem o serviço militar também deverão ser beneficiados com mudanças a partir da campanha salarial 2009.
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Internet elétrica será vendida neste ano
Maria Luíza Filgueiras
Do Diário do Grande ABC
A internet elétrica deve virar realidade em São Paulo ainda neste ano. Enquanto as agências reguladoras analisavam como e quando o acesso à web pela tomada poderia ser feito, as empresas de energia faziam experiências. A Aneel (Agência Nacional e Energia Elétrica) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acabam de dar o sinal verde para as operadoras começarem a trabalhar o produto.
"Todas as distribuidoras de energia já estão autorizadas", afirma Paulo Henrique Silvestre, superintendente de regulação da distribuição da Aneel. "O regulamento permite que o aluguel dos fios seja feito, desde que não haja prejuízo de qualidade para o consumidor."
A Anatel é responsável pela fiscalização das provedoras de internet, incluindo a questão de velocidade fornecida e preço ao consumidor. Cabe à Aneel as regras para não criar concorrência das empresas do setor de energia com as empresas de telecomunicações.
As distribuidoras de eletricidade não podem prestar o serviço diretamente, mas podem alugar a infraestrutura para operadoras de internet. Se houver uma empresa de telecomunicações do mesmo grupo que a distribuidora, ela pode oferecer a internet. Mas, para que não seja dada preferência, a Aneel exige que a distribuidora divulgue amplamente no mercado, por três dias consecutivos em jornais de grande circulação, que abrirá concorrência para a locação de sua rede às operadoras interessadas.
Na internet tradicional, os fios de telefonia são condutores das informações para acesso à internet. Na nova opção, os fios elétricos são os condutores e também precisam de modem para captar o sinal da rede e converter dados, imagens e voz. A grande vantagem é a capilaridade - hoje 65% dos lares brasileiros utilizam energia elétrica -, o que pode ampliar em muito o acesso do País à banda larga.
Agora que as regras foram definidas, as operadoras começam a avaliar a viabilidade comercial do serviço. Segundo a Anatel, nenhuma empresa se habilitou ainda, mas o grupo AES Eletropaulo já demonstrou interesse, através da Eletropaulo Telecom. A empresa solicitou licença temporária à Anatel e, ao fim de 2007, começou a fazer testes de fornecimento de internet banda larga pela rede elétrica.
Segundo Nicolas Maheroudis, diretor de projetos BPL (Broadband over Power Lines, banda larga por linhas de energia) da Eletropaulo Telecom, o fornecimento tem sido feito para 150 apartamentos em Moema, na Capital paulista, o que já representou um investimento de R$ 20 milhões em 2007 e 2008.
"Ainda em 2009, queremos estender esse atendimento aos bairros Cerqueira César e Pinheiros. O mapa inicial para comercializar o serviço é de 300 prédios, universo de 15 mil apartamentos", conta Maheroudis. A Eletropaulo não vai criar um provedor próprio, mas atuará com parceiros para a oferta de internet das marcas já existentes, como Vírtua e Speedy.
Outras empresas podem demorar um pouco mais a oferecer o serviço, ou mesmo optar por não incluí-lo na carteira. A CPFL Energia, por exemplo, não demonstra interesse, no momento, em explorar a internet banda larga pela rede elétrica.
Do Diário do Grande ABC
A internet elétrica deve virar realidade em São Paulo ainda neste ano. Enquanto as agências reguladoras analisavam como e quando o acesso à web pela tomada poderia ser feito, as empresas de energia faziam experiências. A Aneel (Agência Nacional e Energia Elétrica) e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acabam de dar o sinal verde para as operadoras começarem a trabalhar o produto.
"Todas as distribuidoras de energia já estão autorizadas", afirma Paulo Henrique Silvestre, superintendente de regulação da distribuição da Aneel. "O regulamento permite que o aluguel dos fios seja feito, desde que não haja prejuízo de qualidade para o consumidor."
A Anatel é responsável pela fiscalização das provedoras de internet, incluindo a questão de velocidade fornecida e preço ao consumidor. Cabe à Aneel as regras para não criar concorrência das empresas do setor de energia com as empresas de telecomunicações.
As distribuidoras de eletricidade não podem prestar o serviço diretamente, mas podem alugar a infraestrutura para operadoras de internet. Se houver uma empresa de telecomunicações do mesmo grupo que a distribuidora, ela pode oferecer a internet. Mas, para que não seja dada preferência, a Aneel exige que a distribuidora divulgue amplamente no mercado, por três dias consecutivos em jornais de grande circulação, que abrirá concorrência para a locação de sua rede às operadoras interessadas.
Na internet tradicional, os fios de telefonia são condutores das informações para acesso à internet. Na nova opção, os fios elétricos são os condutores e também precisam de modem para captar o sinal da rede e converter dados, imagens e voz. A grande vantagem é a capilaridade - hoje 65% dos lares brasileiros utilizam energia elétrica -, o que pode ampliar em muito o acesso do País à banda larga.
Agora que as regras foram definidas, as operadoras começam a avaliar a viabilidade comercial do serviço. Segundo a Anatel, nenhuma empresa se habilitou ainda, mas o grupo AES Eletropaulo já demonstrou interesse, através da Eletropaulo Telecom. A empresa solicitou licença temporária à Anatel e, ao fim de 2007, começou a fazer testes de fornecimento de internet banda larga pela rede elétrica.
Segundo Nicolas Maheroudis, diretor de projetos BPL (Broadband over Power Lines, banda larga por linhas de energia) da Eletropaulo Telecom, o fornecimento tem sido feito para 150 apartamentos em Moema, na Capital paulista, o que já representou um investimento de R$ 20 milhões em 2007 e 2008.
"Ainda em 2009, queremos estender esse atendimento aos bairros Cerqueira César e Pinheiros. O mapa inicial para comercializar o serviço é de 300 prédios, universo de 15 mil apartamentos", conta Maheroudis. A Eletropaulo não vai criar um provedor próprio, mas atuará com parceiros para a oferta de internet das marcas já existentes, como Vírtua e Speedy.
Outras empresas podem demorar um pouco mais a oferecer o serviço, ou mesmo optar por não incluí-lo na carteira. A CPFL Energia, por exemplo, não demonstra interesse, no momento, em explorar a internet banda larga pela rede elétrica.
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